quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Um bom começo depois de um triste fim.


Parece-me uma boa oportunidade pra começar um blog. Estou num momento de reflexão, de avaliação e de virada de página. Este blog será minha página em branco e pretendo um dia não lembrar como era a vida antes dele. Não vou renegar meu passado, nem ansiar pelo meu futuro. Hoje e agora são as palavras da vida e nós não poderemos nunca viver sem elas, uma vez que não há vida sem o hoje. Pra quem o hoje não existe, esse blog não faz sentido.

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A primeira luta do amor: Racional vs. Emocional

Não, lidar com amor não é uma coisa fácil. O amor é como um cavalo selvagem sendo adestrado: ele não pode saber que você tem medo dele, ele não pode fazer o que simplesmente quiser e você não pode tentar domá-lo enquanto ele se rebela, mas sem nunca esquecer que o controle é seu, também, mas ele nunca te obedecerá se você não dominá-lo. Não se trata, porém, de dominar o amor, se trata de saber afrouxar suas rédeas no momento certo e segurá-las com força quando ele perder o controle. E a propósito não há no mundo nada mais belo do que um cavalo selvagem, indomável e absolutamente, absolutamente poderoso.

Uma criança tem duas fases na vida quanto às suas dúvidas. Na primeira, ela pergunta O que é? e na segunda, ela pergunta Por que é?. As pessoas perdem tempo demais tentando conhecer o amor pela superfície por não se darem conta de q
ue o mar não pode ser medido com os olhos. Eu hoje me pergunto Por que é? que existe tudo isso; me pergunto Por que é? que dá essa sensação engraçada; e por fim, me pergunto se faz bem ou mal, mas nunca aceitando respostas incompletas: eu quero entender o porquê. Acho que essa curiosidade é fruto da minha predileção: prefiro mergulhar do que andar de barco.

Bioquimicamente o amor é algo nada romântico. Começa com uma paixão, com a produção insandecida de endorfina e serotonina, mas logo vira uma dependência e dá medo viver sem o amor. Dá medo porque o amor é a saturação de uma f
oto desbotada, é a graça na vida, é o aroma da dama da noite que só se sente... a noite. Mas o amor não é bioquímico. O amor é um aborrecimento do qual você não consegue simplesmente se livrar como quem bota uma roupa pra lavar. É preciso de muito sabão e muita bucha pra tirar essa terra toda de você. E tem terra por todos os lados: dentro do ouvido, no cabelo, debaixo das unhas, dentro do umbigo. O amor se esconde dentro de você só porque você não conhece direito o seu próprio labirinto.

E se assim rebelde e indomável é o amor. Se assim sábio e ágil, como devemos encará-lo?

O amor não é maldição, mas não é divindade. O amor é absolutamente humano, com todas as suas perfeições e suas imperfeições. É teimoso, mas é gentil. O amor é a coberta quentinha no dia de chuva e é o bafo do fogão no dia de sol. O amor é dúbio. O amor é verdadeiro, seja bom ou seja ruim. E o amor precisa da razão por ser emoção.
Mas o amor nunca pode existir sem emoção. É andar numa corda bamba que de um lado pende pra razão, do outro pra emoção; mas é no meio que você precisa ficar. E qual é a hora de pender pra um lado? Quanto mede o ângulo limite para você se pender? É uma pena que o amor seja algo tão maior que a matemática.
Talvez eu esteja na hora de usar a emoção como impulso para a razão. Entender como acontece uma traição é fácil, mas o segredo está em Por que acontece?. Uma traição, por exemplo, vai muito além de "Fulano(a) é um(a) canalha". Por que trair? Isso é o que me bate na cabeça.

E pensando nessa salada de fruta de confusões que nós chamamos de amor, rendo-me à René – René Descartes – para me ajudar. E ele fala por si só num momento em que eu devo me calar para refletir. Num próximo texto, tentarei analisar as frases.

"O bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de se contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que têm."

"Não basta termos um bom espírito. O mais importante é aplicá-lo bem."

"Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis."

"Tomei a decisão de fingir que todas as coisas que até então haviam entrado na minha mente não eram mais verdadeiras do que as ilusões dos meus sonhos."

"O bem que fazemos nos dá uma satisfação interior, que é a mais doce de todas as paixões."

"Seria absurdo que nós, que somos finitos, tratássemos de determinar as coisas infinitas."

- René Descartes -

E por fim:

"O alimento da juventude é a ilusão."
, Descartes.






4 comentários:

Natasha De Rose disse...

"No day but today"

Bruna disse...

Ana, que bom vê-la por aqui! :^)

"O amor é absolutamente humano" e assim o é porque apenas nós o sentimos, porque hmanos como nós, cheios de falhas somos os únicos achamos "entender" do amor. A gente sempr tnta dosa-lo, mas o amor já é desmedido. Ele domina e depois arrasa. :P
Beijo e já é favoritaaa!

Mariana Burgos disse...

Adorei a citação final do Descartes, apesar de eu não ser muito racionalista não. ;)

Bjs, te add!

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.